Os milagres de Jesus

João Fascista

Jesé de Nazarus cresceu até à idade de 33 anos e decidiu dedicar-se à sua vocação messiânica, começando a vaguear pelos desertos que rodeavam a terra de Nazarus. Certo dia, quando se preparava para atravessar a ponte sobre o rio Jordão, Jesé deparou-se com um homem enorme que lhe disse: “Desvia-te, pois esta ponte não é suficientemente grande para os dois”. Jesé muito se admirou com a falta de delicadeza do homem que dizia chamar-se João Pequeno. Jesé tentou explicar-lhe que se se encolhessem, poderiam passar os dois ao mesmo tempo mas o homem insistia que alguém teria que recuar e que, de certeza, não seria ele. Com isto, o gigante pegou num cajado que trazia e tentou atingir a cabeça de Jesé com ele. Ao ver aquilo, Jesé recorreu aos seus poderes divinos e logo fez aparecer uma centena de pães. Como aquilo não servia para grande coisa, lançou-os a uma multidão de famintos que por ali passava. Em seguida, Jesé materializou uma centena de peixes que seguiram o mesmo caminho. A multidão delirava com a súbita abundância mas Jesé começava a entrar em pânico pois o seu opositor cada vez estava mais perto. Numa terceira tentativa, Jesé fez aparecer a seus pés uma centena de ânforas de água que quase o levavam ao desespero. Olhando para as ânforas, Jesé lembrou-se de transformar a água em ácido sulfúrico que poderia lançar à cara de João Pequeno, mas, mais uma vez, as coisas não correram bem e a água transformou-se em vinho. A multidão, ao ver o vinho, começou a gritar: “Passa a pinga, ó Salvador!”, por não saberem o nome do seu benfeitor inesperado e julgarem que este era apropriado. Por alguma razão, o nome pegou.

Desesperado, Jesé fez uma última tentativa e fez aparecer um bando de leprosos. A princípio, ainda tentou esconder-se atrás dos leprosos mas estes fugiram na direcção da multidão ao verem o banquete. Os convivas não apreciaram esta última proeza e começaram a reclamar, dizendo: “Ó Sana, ó Sana!” Sana era o nome do delegado de saúde pública da região que se encarregava de afastar os leprosos para lugar seguro.
Perante a ineficácia dos milagres de Jesé, João Pequeno chegou até junto dele e empurrou-o para dentro do rio com o cajado. Jesé caíu à água mas conseguiu agarrar a túnica do seu opositor, arrastando-o consigo. Completamente encharcados, os dois começaram a rir e logo esqueceram as suas divergências.

Deus via tudo do alto, pois já havia perdido o interesse nas mulheres de seios volumosos, que deixam de ter piada passado algum tempo, e achou muito divertido aquele folguedo aquático. Gostou tanto de ver Jesé e João Pequeno a chapinhar na água que decidiu que, daí em diante, todos os seus filhos deveriam levar com água na cabeça antes de poderem chegar até junto de Si. Aproveitando o embalo, mudou o nome de João Pequeno para João Fascista para evitar confusões com personagens de outras histórias.

Depois do seu baptismo, Jesé partiu em peregrinação pelas terras de Israel e chegou à região a que chamavam Larileia. Nesta terra, os homens viviam da pesca no grande lago que ali existia e a que chamavam “Mar da Larileia.” Por esta altura, Jesé decidiu que precisava de ajudantes para o auxiliarem na sua missão divina e começou a recrutar apóstolos ali mesmo. Aproximou-se da margem do lago e gritou para a tripulação de um barco de pesca ocupada com a sua faina: “Vinde até mim, pois eu sou o Messias.” Ao que os pescadores replicaram: “Se és o Messias, então manda-nos ir ter contigo, andando sobre as águas.” “Então, vinde sobre as águas, pois eu sou o filho de Deus”. Os pescadores, num repente de fé, lançaram-se à água e logo morreram afogados. Atrapalhado, Jesé disse o mesmo a um outro grupo de pescadores que tinha estado a ouvir a conversa: “Vinde sobre as águas, pois eu sou o filho de Deus”, acrescentando, porém: “Mas vede primeiro se tendes pé.” Os pescadores aproximaram o seu barco das margem e rodearam Jesé, reconhecendo-o como o único e verdadeiro Messias.
Assim, recrutou Jesé os seus discípulos. Toni a quem chamou Calhau; Valdnei, o brasileiro; Jorge, António, Júlio, filho de Maracuc; Pepe; Júlio, o contabilista; Alceu, o incrédulo; Cajó, o pastor; Meireles; Mohammed, o marroquino; e Carlos Alberto que o trairia.

Fonte INEPCIA

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